A formação de professores para a utilização de recursos audiovisuais
 

Conferência com Maria de Los Dolores Jimenez Peña fala da inserção e apropriação do computador e da Internet na sala de aula

“A prática pedagógica: dos recursos audiovisuais às novas tecnologias da informação e comunicação” será abordada pela professora Maria de Los Dolores Jimenez Peña, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). O evento começa às 9 horas do dia 4 de junho, sexta-feira. O tema integra o ciclo de palestras da Educática – Tecnologias da Informação e da Comunicação Educacional, que ocorre de 2 a 6 de junho, no Centro Educacional e Cultural Argos (Ceca).

Ela vai abordar a formação de professores para a utilização de recursos audiovisuais, enfatizando o uso que normalmente estes profissionais e a escola fazem destes instrumentos. A inserção e apropriação do computador e da Internet na sala de aula presencial e em ambientes de aprendizagem midiáticos também fazem da abordagem.

Atualmente Maria de Los Dolores leciona na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), na FAI e Unibero, em cursos de graduação, especialização e mestrado, além de participar de projetos educacionais ligados à PUC-SP, e de assessorar algumas escolas da rede privada. Suas especialidades, entretanto, são a formação continuada de professores na escola e a avaliação de aprendizagem. Maria dos Dolores é mestra e doutora em Educação, com graduação em Ciências Biológicas e especializações em supervisão escolar e química industrial.

Conheça um pouco mais sobre a palestrante e sua visão sobre as novas tecnologias aplicadas à educação.

•Qual a sua visão sobre as novas tecnologias da informação e da comunicação educacional? Essa é uma tendência mundial nos processos educacionais?

A escola inserida nesta sociedade mutante permeada por diferentes meios de comunicação passa por um conflito interno, pois ao mesmo tempo em que a sociedade lhe atribuiu a função de sedimentar às novas gerações os conhecimentos acumulados pela humanidade, ela deve preparar o indivíduo para uma sociedade em permanente estado de mutação onde o tempo e o espaço adquirem novas dimensões. Neste sentido, a escola assume o duplo papel; o de conservar o já existente e o de educar para a mudança.
A dificuldade que os professores apresentam, em incorporar as tecnologias no ensino, nos remete a três questões básicas: a necessidade de o professor ter consciência de que ele deixou de ser a única fonte de informação do aluno; de que a apropriação de um novo recurso tecnológico requer o reconhecimento da potencialidade técnica e comunicacional deste recurso, e de reconhecer em que medida o mesmo se aplica à abordagem pedagógica utilizada.

• Como é a receptividade dos professores a essas inovações na sala de aula?

Muito embora os alunos estejam imersos nesta sociedade, na qual o acesso a diferentes meios de comunicação lhe propicia a transmissão de informações em linguagens diversificadas, o ensino desenvolvido pela maioria de nossos professores ainda é pautado exclusivamente pela oratória, a despeito dos avanços da tecnologia e das novas formas de comunicação e linguagem, dando pouco espaço para outros meios de comunicação, pois a integração das tecnologias nos processos educacionais tem despertado, desde há muito, certa rejeição.

• De que maneira a integração de diferentes mídias pode enriquecer o processo de aprendizagem?

Embora a comunicação seja co-natural ao ser humano, a escola não se apercebeu do fato que os processos de ensino são permeados por processos comunicacionais, independente da modalidade de ensino. Hoje, a comunicação passa a assumir um outro status nos processos educacionais, já que os dispositivos midiáticos tornam-se necessários para que haja uma diversidade de disponibilização e utilização da informação nos processos de ensino/ aprendizagem. Todo este processo deve ocorrer com a incorporação paulatina das novas descobertas, a sua prática educativa e uma reflexão no sentido de perceber se houve uma contribuição efetiva no processo de ensino-aprendizagem. Nesses casos, deve existir o fomento para que haja o incremento dos recursos tecnológicos. E estes, não devem apenas estar disponíveis em situações isoladas e descontextualizadas, mas, sim, fazer parte da cultura da instituição.

• Qual a sua visão sobre o ensino à distância? Com todo esse movimento de inclusão digital, é possível um distanciamento dos jovens das salas de aula?

O ensino à distancia se apresenta hoje como uma possibilidade de democratização. Com os novos meios de comunicação, da informação e do conhecimento, pode ser disseminado a lugares distantes, onde dificilmente o aluno poderia, sem esses meios, ter acesso. Isto representa um grande avanço na educação. Os processos educacionais mediados pelo computador e pela internet, dependendo da concepção de ensino utilizada propiciam ao aluno ‘experenciar’ diferentes ambientes de aprendizagem e linguagens diversificadas, que acabam potencializando novas formas de aprender.

• Nas escolas brasileiras a chegada dos micros se dá num ritmo lento. Assim também ocorre com a capacitação dos professores. O que esperar de avanços nesta área num país carente de recursos como o Brasil?

Para que o professor passe de um ensino convencional a um ensino apoiado nas novas tecnologias, bem como o desenvolvido em ambientes virtuais, exige-se que a instituição estabeleça o desenvolvimento de um projeto de formação de professores que priorize a inserção das TICs numa perspectiva construtiva e reflexiva da ação docente. Há necessidade também que o professor conte com uma equipe especializada de planejamento e execução de material didático em multimídia que lhe dê apoio. Caso contrário, ele poderá sofrer uma experiência traumatizante. A falta de cultura do professor e da escola com os recursos tecnológicos decorrentes, em parte, da relação estabelecida entre o tecnicismo e estes, dificultou o reconhecimento da potencialidade das novas mídias e a apropriação de formas diferenciadas de comunicação. Entendemos que a tecnologia por si só não se constitui em uma revolução metodológica, mas com a presença de novos meios de comunicação e ambientes de aprendizagem virtuais, o professor é impelido não só a conhecer um ou outro dispositivo tecnológico, mas a reconhecer que a articulação entre as várias mídias e tecnologias insere o ensino numa perspectiva inovadora e de acordo com as demandas exigidas na sociedade do conhecimento.