A CONSTRUÇÃO DO CENTRO ESPORTIVO
 

Doutor em Educação Física aborda a interação entre comunidades virtuais como recurso de busca de informação e participação nos tópicos que fazem interface com a Educação Física, o Esporte e o Lazer

No novo século, em que o ensino (ensignare = passar informação) morreu, o Centro Esportivo Virtual , criado em 1996, e que tem mais de 130 comunidades virtuais interagindo, pode ser um bom recurso de busca de informação e participação dos professores, especialmente nos tópicos referentes, ou que fazem interface, com a Educação Física, o Esporte e o Lazer, conforme explica o conferencista Laércio Elias Pereira, que abordará, no segundo dia do Ciclo de Palestras da Educática, “Comunidades de Aprendizagem na Internet. A Construção do Centro Esportivo”.

A conferência começa às 9h e será realizada no auditório Elis Regina, no Centro de Capacitação do Complexo Argos, nesta sexta-feira.

Laércio Elias Pereira, de 55 anos, é doutor em Educação Física pela Unicamp. Natural de São Caetano do Sul (ABC-SP), graduou-se em Educação Física, em 1970, pela Universidade de São Paulo (USP). Em 1971, fez sua pós-graduação na Escola de Educação Física de Santos (SP), como “Técnico Desportivo em Handebol”. Em 1984, fez seu mestrado pela USP, também em Educação física e, em 1998, concluiu sua tese de doutorado pela Unicamp.

Conheça um pouco mais sobre palestrante e sua visão sobre as novas tecnologias aplicadas à educação.

• Qual a sua visão sobre as novas tecnologias da informação e da comunicação educacional? Essa é uma tendência mundial nos processos educacionais?

A educação (e isso é mais que o sistema de escolas) tem incorporado as novas tecnologias como incorporou as velhas, como o lápis e o papel. A novidade é que as novas tecnologias "participam" da educação, trazem a interação e ampliam a abrangência do processo.

• Como é a receptividade dos professores a essas inovações na sala de aula?

O professor ainda é o segundo maior gargalo do sistema, classificado logo abaixo do descaso dos poderes públicos (Jundiaí e exceção). Mas, como o professor é o principal profissional do século 21, logo, logo, essa resistência acaba. Ou é acabada.

• De que maneira a integração de diferentes mídias pode enriquecer o processo de aprendizagem?

O caminho é inverso: quais propostas educacionais vão poder contar com o insumo "tecnologias de comunicação". Uma escola que apenas ensina vai usar as novas tecnologias apenas para modernizar a pobreza.

• Qual a sua visão sobre o ensino à distância? Com todo esse movimento de inclusão digital é possível um distanciamento dos jovens das salas de aula?

Como o ensino morreu no século passado, gosto de falar em aprendizagem à distância ou, mais em cima do muro, educação à distância. Acho que o pessoal não vai jogar fora as salas de aula. Vai abrir mais para a comunidade em geral, e marcar alguns encontros presenciais. Provavelmente até convidando os mestres.

• Nas escolas brasileiras a chegada dos micros se dá num ritmo lento. Assim também ocorre com a capacitação dos professores. O que esperar de avanços nesta área num país carente de recursos como o Brasil?

Temos um congresso nacional de país pobre. Cheio de restrições. E um governo idem, que não consegue usar os recursos do FUST (muito dinheiro!) para o objetivo para que foi criado. Quando o governo resolver isso (e não cair na tentação de desviar esse dinheiro para outras coisas), vamos avançar bastante.

• Qual a função social das inovações tecnológicas? Os meios digitais podem ser uma poderosa ferramenta contra o preconceito e a exclusão?

Nós os otimistas, achamos que sim. Grandes avanços no conhecimento da física, que forneceriam energia, serviram para fazer a bomba atômica.

• As grandes transformações começam com as pessoas. São elas que movimentam idéias e geram o conhecimento necessário para transformar suas vidas. O professor está preparado para toda essa revolução digital e predisposto a mudar?

Nossos mestres são as melhores pessoas que o planeta tem. São mais do que profissionais. Eles vão superar o impasse atual, tranqüilamente. Isso é uma coisa bastante fácil, alguns professores estão trocando aprendizagem com os estudantes nesse item. Certamente aquela minoria (todos os grupos humanos têm minorias), que acha que já sabe tudo, que não precisa estudar todos os dias, vai cair fora, vai ser expurgada naturalmente do sistema. E não só na educação. Qualquer profissional que não estiver firmemente engajado em um processo de formação continuada vai virar uma vaga.

• Num tempo em que há um literal “bombardeio” de informações de guerra e injustiças sociais apresentadas pelos meios de comunicação, como fazer para que os jovens saiam da posição de meros contempladores para protagonistas de ações educativas dentro da própria escola? Os meios digitais podem funcionar como disseminadores de valores na sala de aula?

A sala de aula de uma determinada escola é um espaço bastante limitado. Acredito que os jovens já estão interagindo com outras escolas, outros grupos de interesse, outros países. Os novos líderes mundiais saíram desse processo e por causa da abrangência da rede, podem vir de qualquer lugar do Planeta, não só dos impérios econômicos.