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Desafios e possibilidades postos no contexto da Sociedade do Conhecimento
Resumo da tese de doutorado de Maria Helena Bonilla
Considerando que a escola atual está centrada na racionalidade própria da
escrita, não tendo conseguido abranger a racionalidade da oralidade, nem a
complexidade do mundo atual e incorporar as novas formas de organização, de
pensamento e de construção do conhecimento que estão emergindo com as tecnologias
da informação e comunicação, não consegue entrar em sintonia com os jovens-alunos
que encontram-se imersos nessa nova forma de pensar, nessa nova ecologia. Frente
a isso, esta pesquisa investigou a dinâmica de interfaceamento de linguagens,
tecnologias e racionalidades mais em uso em escolas conectadas à rede Internet,
trazendo os limites e possibilidades postos no contexto da sociedade
contemporânea para a estruturação de novas territorialidades, de forma a diminuir
a distância existente entre a vida de dentro e de fora da escola e a constituir
uma escola aprendente.
Para tanto, com base nos aportes da pesquisa etnográfica e da pesquisa-ação,
procuro, por um lado, compreender os processos políticos e pedagógicos de
inserção e uso da Internet na rede de escolas públicas portuguesas e, por outro,
compreender as dinâmicas de uma turma de 6a série de uma escola privada do
município de Ijuí – RS, cujos professores e alunos têm acesso à rede, as relações
que professores e alunos estabelecem com as diferentes linguagens, tecnologias e
racionalidades que ali estão em uso, fazer o mapeamento das intensidades e
sentidos dados às concepções que esses atores/autores têm sobre essas dinâmicas.
A partir dessa cartografia procuro, em conjunto com os professores, questionar as
concepções instituídas e construir oportunidades para a elaboração de ações e de
sentidos outros a essas concepções. Analisando as ações propostas e executadas,
tanto no Brasil quanto em Portugal, procuro explicitar o diferencial que as novas
dinâmicas apresentam, em relação às anteriores e, em que medida elas sinalizam
para a estruturação de novos territórios educativos.
Os resultados do trabalho mostram que colocar as tecnologias nas escolas,
conectando-as à rede Internet, não é suficiente para que transformações aconteçam
nas práticas pedagógicas e a escola efetivamente se constitua num ponto produtor
de conhecimentos, cultura e informações. A articulação complexa das tecnologias
com outros fatores é que cria um caldo cultural onde as características dos
jovens contemporâneos, as proposições dos professores, o interfaceamento das
diferentes linguagens, tecnologias e racionalidades têm espaço para emergir,
provocar a desterritorialização das práticas instituídas e estruturar outras
territorialidades.
Compõem esses fatores a forma como a escola se organiza, tanto para o
desenvolvimento de projetos envolvendo as tecnologias, como para a gestão de
tempos e espaços dos professores, e para a proposição de dinâmicas de formação
permanente de todos os membros da comunidade; a interação e colaboração entre
professores, articuladores e a equipe de gestão da escola, tanto no sentido de
estudar, compreender o significado social dessas tecnologias, seus princípios,
suas potencialidades, as racionalidades que as perpassam, quanto no de propor
ações e dinâmicas pedagógicas que levem em consideração suas características; as
políticas públicas de financiamento e implementação de programas e projetos para
a área de educação e tecnologias e para a formação inicial e continuada dos
professores.
Portanto, na escola, conforme for a articulação das tecnologias com os demais
fatores políticos que ali se fazem presentes, se constituirão ou em instrumentos
que mantêm o mesmo modelo de educação já instituído, ou em elementos
estruturantes de territórios educativos abertos, dinâmicos, característicos de
uma escola aprendente. Isso significa que as tecnologias necessitam ser
percebidas, não como um dado absoluto, como um fator técnico, e sim como um fator
político, pela forma como são concebidas, produzidas e utilizadas. Tomá-las como
fator político, como estratégia de conhecimento e ação, significa inseri-las no
contexto escolar e também perceber as concepções e condições que levaram a essa
inserção, bem como as escolhas e o conjunto de medidas que as acompanham.
No caso das concepções, da vontade e da ação política adotadas encaminharem
para a estruturação de outros territórios educativos, desenvolvem-se redes de
colaboração, tanto dentro das escolas, quanto entre as escolas e o contexto
externo. Redes que potencializam a troca, a problematização, o estabelecimento de
relações, a ressignificação de conceitos e temáticas, desencadeiam processos de
produção e socialização de conhecimentos, de aproximação entre alunos e
professores, possibilitam outras formas de comunicação, rompem com os programas
fechados e com as barreiras que separam a escola do contexto externo, geram um
movimento onde os territórios educativos se reconfiguram e os processos de
aprendizagem se alargam, envolvendo todos os espaços e sujeitos da instituição.
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