Sociedade precisa
de consciência crítica sobre programação
Que a tv representa um belo reforço escolar, não
resta a menor dúvida. A questão é criar
uma consciência crítica entre professores, alunos
e pais, de acordo com a diretora da ONG Midiativa –
Centro Brasileiro de Mídia para Crianças e Adolescentes
– Sirlene Reis. Para discutir essas e outras questões
ligadas ao jovem, a ONG, em conjunto com a Multirio, promove
no próximo ano a SUMMIT 2004 – 4ª Cúpula
Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes.
Como representante do Midiativa, ela considera a realização
da SUMMIT 2004 no Brasil uma grande vitória. A 1ª
cúpula aconteceu na Austrália, a 2ª na
Inglaterra, a 3ª na Grécia e a 4ª acontece
no Rio de Janeiro. “Trata-se de uma vitória trazer
um evento deste porte para o Brasil porque ele traz uma preocupação
muito grande com o adolescente e com a criança, que
representam 50% da população da América
Latina”.
O evento deve reunir 1500 especialistas para discutir desde
a questão política até essa revolução
tecnológica em contato com os jovens. Experiente no
assunto por conta de dez anos de trabalho na TV Cultura, Sirlene
considera hoje a tv fundamental na formação
de crianças e adolescentes.
Ela vê o recurso como um complemento escolar, desde
que bem trabalhado pelo educador. “Não podemos
fechar os olhos para o fato de que a criança muitas
vezes está exposta a 3 ou 4 horas diárias de
programação, o que certamente a influencia em
sua formação”.
O esforço, portanto, é tentar inserir cada
vez mais a educação nesse contexto. “A
tv faz parte da nossa vida e contribui positiva e negativamente
no desenvolvimento das pessoas. A idéia é fazê-la
contribuir o máximo possível de forma positiva”.
Criança como target
Sirlene avalia que as tvs abertas, de caráter comercial,
pouco contribuem na questão educativa. “Claro
que há bons programas, mas o que dizer por exemplo
de programas como esses reallity shows? Como eles contribuem
para a boa formação de uma criança”?
A verdade é que a criança cresceu como mercado.
“Há 30 anos, por exemplo, ela não era
vista como target. Hoje ela representa uma fatia muito importante
do mercado, daí o aumento da oferta de programas para
crianças. O que devemos questionar, então, é
sua qualidade”.
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