Era eletrônica
pede uma nova escola
Novos modos de ver o mundo estão em curso. Assim
como a escola nasceu para formar leitores, os novos meios
estão exigindo a formação de telespectadores
e de usuários de computadores. Essa é a visão
do professor Jarbas Novelino Barato, assessor de projetos
especiais do Senac-SP, que se apresenta na 4ª Educática
com o tema Softwares Educacionais.
Mestre em tecnologia educacional pela San Diego State University
(EUA), ele explica que os alunos não se chateiam com
aulas expositivas apenas porque representam um modo antigo
de se comunicar. “A comunicação humana
baseada na fala comunal deixou de ter credibilidade”.
Isso significa que a falta de apetite dos estudantes pela
leitura é sinal de que a informação aqui-agora
ganhou mentes e corações dos estudantes”.
A questão, portanto, não é de como usar
os meios digitais para fins educacionais, mas de reformar
a educação para que ela entre em sintonia com
as mudanças que estão ocorrendo no mundo. “Por
tudo isso, a nova escola precisará perder a arquitetura
de auditório, acabar com horários rígidos,
programas fechados, seriação e reprovações,
fazendo uso extensivo de artefatos digitais”.
Mito
Para Novelino, criou-se o mito da incapacidade de os adultos
lidarem com os novos artefatos eletrônicos e os professores
são as maiores vítimas desse mito. “Professores,
assim como quaisquer outros trabalhadores, estão prontos
para dar boas vindas a tudo que possa melhorar condições
de trabalho, eficiência, resultados e realização
profissional”, acrescenta.
Afinal, o processo de aprendizado é melhor quando
se consegue ver o fenômeno de diversas perspectivas
e isso depende muito do professor, como facilitador desse
processo. “Claro que essa multiplicidade do olhar não
depende necessariamente de diferentes mídias. Depende
muito mais de imaginação e criatividade, mas
a existência desses recursos pode aumentar de modo significativo
o olhar múltiplo”.
O que pode atrapalhar esse processo é o imobilismo
da escola, de acordo com Novelino. “Talvez a chegada
dos micros nas escolas não se dê de modo tão
lento. Os micros entram, mas não se adotam estratégias
que usem de modo eficaz as tecnologias de informação”.
O investimento numa nova escola que adote de maneira inteligente
as novas tecnologias deverá expandir as capacidades
de alunos e professores. Com essa mudança, os softwares
educacionais – que em geral repetem virtualmente velhos
exercícios – poderão ajudar na modificação
da forma de comunicação, despertando interesse
de alunos e ajudando professores a assumir um novo papel,
o de ajudar os estudantes a aprender a aprender.
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