Gilson Schwartz

Sociedade da Informação pede nova política

Todo cuidado é pouco na hora de implantar tecnologias, especialmente em sala de aula. O alerta é do diretor acadêmico do Projeto Cidade do Conhecimento da USP, Gilson Schwartz, que se apresenta na 4ª Educática com o tema Internet e Educação. “O drama da Internet escolar é um dos exemplos de tempo perdido num modelo desconjuntado de sociedade em rede”, argumenta.

Ele lembra que sem inteligência as redes não apenas ficam subutilizadas, mas são mal utilizadas, colocando numa situação de risco ainda maior o desenvolvimento educacional, econômico e social. “É preciso olhar a questão com cuidado. A infra-estrutura das redes de fibra ótica nos Estados Unidos, por exemplo, está com uma capacidade ociosa de 90%”, alerta.

Economista e sociólogo, ele lembra que diante de um cenário como este a escolha de investimentos assume importância decisiva, sobretudo quando se trata de investimentos públicos. “O risco maior é ignorar essas questões e não desenhar uma nova política para a chamada sociedade da informação”.

A integração de diferentes mídias, portanto, só pode enriquecer o processo de aprendizagem se tiver como perspectiva a transformação do professor e do aluno em co-autores de conteúdo. “Não podemos esquecer que ainda há dificuldades em termos de atualização pedagógica, melhora salarial e valorização profissional”.

Lobbies Poderosos
Schwartz lembra que a chegada dos recursos tecnológicos às escolas ainda se dá num ritmo lento. “Além disso, ela está sujeita a lobbies poderosos que colocarão seus interesses particulares acima e à frente da agenda nacional”.

Para ele, a sociedade ainda não está totalmente preparada para a tecnologia que, em geral, chega na frente e depois obriga as pessoas a se adaptarem. “Para nós, da Cidade do Conhecimento da USP, o caminho é distribuir poder autoral”. A solução seria inverter esse processo de produção e distribuição, preparando as pessoas anteriormente, para uma efetiva organização da sociedade da informação.