Vídeo aproxima
a sala de aula da vida real
Com uma bagagem de 7 anos de trabalho com a utilização
do vídeo em sala de aula, o professor André
Carriére do Laboratório de Comunicação
Educacional ECA/USP está implantando em Jundiaí
o Projeto Curumim. O projeto tem por objetivo fazer televisão
a partir dos acertos e erros de crianças e professores,
que cada vez mais vêm desenvolvendo a competência
de lidar com a tecnologia dentro da escola.
Carriére já trabalhou com adolescentes de 10
até 17 anos em escolas públicas e particulares
e relata algumas importantes diferenças na atividade
com os dois públicos. Por terem mais acesso às
tecnologias e crescerem apertando botões, os alunos
de escolas particulares já têm algumas noções
do vídeo e acabam não se entusiasmando tanto
após algum tempo de trabalho.
Já os alunos de escolas públicas são
mais motivados, aprendem com mais intensidade. Até
porque – conforme esclarece Carriére - o trabalho
com o vídeo é uma maneira de o aluno da escola
pública se sentir incluído na sociedade. “Ele
vai ao shopping e não é olhado por causa da
roupa ou do sapato, mas porque está portando uma câmera,
entrevistando pessoas, trabalhando com vídeo”.
Trata-se de uma nova forma de permitir o acesso das classes
mais carentes aos patrimônios da civilização.
“Da mesma forma que ter um par de tênis é
bacana, mexer no vídeo também é bacana”,
completa ele. Todo esse processo é civilizatório
para os alunos, que aprendem a conversar melhor, entrevistar
pessoas.“Em geral, são alunos que viviam da casa
para a escola e da escola para a rua. Shopping, cinema...
nada disso fazia parte da sua realidade. E de repente começa
a fazer”.
A idéia é fazer do vídeo um pretexto
para entrar com a matéria, criar um universo para o
aluno aprender determinados conceitos. Como a sala de aula
e a vida são coisas diferentes para o aluno, o vídeo
é uma maneira de aproximá-las.
Conversa ao pé do fogo
Carriére trata, especificamente, do vídeo,
uma vez que a televisão é culturalmente muito
mais presente na vida das pessoas do que o computador. Para
ele, as videotecnologias mudaram o jeito de pensar, o jeito
de aprender. São outros temas, outras óticas
e uma outra velocidade.
Como relação ao velho medo do professor de
substituição com relação aos recursos
tecnológicos, Carriére garante que nenhuma dessas
novidades substitui o educador ou o livro. O que ocorre, segundo
ele, é que no Brasil o livro nem teve tempo para se
instalar. “Passamos da conversa ao pé do fogo
para a televisão. Tudo aconteceu num espaço
muito curto de tempo, justamente pelo Brasil ser um país
tão jovem. Por isso, a televisão também
virou um tipo de literatura e temos de nos aproveitar disso
para o ensino”.
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